
Todo mundo está usando IA. Mas um estudo bombástico publicado hoje prova que quase ninguém está usando do jeito certo.
A PwC entrevistou 1.217 executivos em 25 setores ao redor do mundo e descobriu algo que vai te fazer repensar tudo que você sabe sobre IA nos negócios: 74% de todo o valor econômico gerado pela IA está sendo capturado por apenas 20% das empresas.
Isso significa que 8 em cada 10 empresas estão investindo em IA e não estão vendo retorno real. Nenhum. Zero.
Mas calma — porque entender o que separa esses dois grupos pode mudar completamente como você usa IA no seu trabalho, na sua empresa ou na sua carreira.
O número que vai aparecer em toda reunião de negócios daqui pra frente: 74/20
Antes de mais nada, vamos entender a dimensão disso.
O estudo da PwC analisou 60 práticas de gestão e investimento em IA e chegou a uma conclusão clara: as empresas líderes não estão usando mais IA do que as outras. Elas estão usando de forma diferente.
As empresas no top 20% geram 7,2 vezes mais valor com IA do que a média das concorrentes. E têm margens de lucro 4 pontos percentuais mais altas.
Isso não é uma vantagem pequena. É uma vantagem que cresce todo trimestre — e que fica cada vez mais difícil de recuperar.
Então o que as 20% fazem que as outras 80% não fazem?
1. Elas usam IA para CRESCER, não só para cortar custos
Essa é a diferença mais importante. A maioria das empresas adota IA pensando em produtividade: “vou automatizar essa tarefa, demitir fulano, economizar dinheiro.”
As líderes pensam diferente. Elas usam IA para encontrar oportunidades de crescimento, criar novos produtos e entrar em mercados que antes seriam impossíveis de acessar. São 2,6 vezes mais propensas a usar IA para reinventar o modelo de negócio.
Na prática para você: em vez de usar IA só para responder e-mail mais rápido, pergunte: “como a IA pode me ajudar a oferecer algo que eu não conseguia oferecer antes?”
2. Elas redesenham os processos, não só colocam IA em cima do que já existe
Sabe quando você pega um processo antigo e cheio de gambiarras e simplesmente automatiza ele? Pois é — isso não funciona.
As empresas que mais faturam com IA são duas vezes mais propensas a redesenhar os workflows do zero ao redor da IA, em vez de simplesmente colocar uma ferramenta nova em cima de um processo velho.
Na prática para você: se você está só adicionando o ChatGPT no meio do seu fluxo de trabalho atual sem mudar nada mais, você provavelmente está no grupo dos 80%.
3. Elas tomam decisões com mais autonomia — e mais velocidade
As empresas líderes estão aumentando o número de decisões tomadas sem intervenção humana a quase 3 vezes a taxa das outras empresas. Elas confiam mais no sistema que construíram.
Mas — e isso é importante — essa autonomia vem acompanhada de governança. São 1,7 vezes mais propensas a ter um framework de IA responsável e 1,5 vezes mais propensas a ter um conselho de governança de IA.
Na prática para você: dá pra escalar o uso de IA só quando você confia no processo. E pra confiar no processo, você precisa testá-lo, documentá-lo e saber exatamente onde ele pode falhar.
4. Elas investem muito mais — mas de forma estratégica
As líderes investem 2,5 vezes mais da sua receita em IA do que as empresas comuns. Mas o ponto não é o tamanho do investimento — é a qualidade.
Elas começam pela estratégia de negócio, não pela escolha da ferramenta. Primeiro decidem onde a IA pode mudar a posição competitiva delas. Depois escolhem as ferramentas.
A maioria faz ao contrário: compra o software, assina o plano, e aí tenta encaixar no negócio.
E o que isso tem a ver com você?
Você não precisa ser uma grande empresa para aplicar essa lógica. O estudo da PwC é sobre empresas grandes, mas os princípios valem para qualquer pessoa que usa IA no trabalho — freelancers, empreendedoras, criadores de conteúdo, profissionais de marketing.
A pergunta que você precisa se fazer é: eu estou usando IA para fazer as mesmas coisas mais rápido, ou para fazer coisas que eu não conseguia fazer antes?
Porque a diferença entre esses dois grupos — os 20% e os 80% — não é acesso à tecnologia. Todos têm acesso ao ChatGPT, ao Claude, ao Gemini. A diferença é mentalidade.
Checklist: você está no grupo dos 20%?
Responda honestamente:
- [ ] Eu uso IA para criar novas fontes de receita, não só para economizar tempo
- [ ] Eu redesenhei pelo menos um processo do zero pensando em IA, não só adicionei ferramentas
- [ ] Eu tenho clareza sobre onde a IA pode errar no meu workflow
- [ ] Eu consigo medir o retorno do que invisto em IA (tempo, dinheiro, assinaturas)
- [ ] Eu uso IA para tomar decisões mais rápidas, não só para executar tarefas
Se você marcou menos de 3: você está no grupo dos 80% — e tudo bem, é onde a maioria está. O importante é saber disso agora, antes que o gap fique grande demais.
Se você marcou 4 ou 5: você já está pensando como as empresas líderes. O próximo passo é escalar.
A linha de fundo
A PwC foi direta: “sem uma mudança de abordagem, o gap entre líderes e seguidores vai aumentar.”
As empresas que acertaram primeiro vão aprender mais rápido, escalar mais rápido, e automatizar mais. As que ficaram paradas vão ter cada vez mais dificuldade de recuperar o terreno perdido.
Em 2026, não é mais sobre se você vai usar IA. É sobre como você vai usar — e se isso vai te colocar nos 20% ou nos 80%.
A boa notícia? Você ainda está a tempo de escolher.
Fonte: PwC 2026 AI Performance Study, publicado em 13 de abril de 2026.
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Sou Tatiana Santos, brasileira vivendo no Canadá, sócia de agência de marketing digital e apaixonada por tecnologia. No Menina Digital compartilho tech com opinião, contexto e sem jargão. 💜
